Poemas em nome próprio
De renomes idos
Sentimentos lidos
Declamações mudas
Janelas de perspectiva infinda
Um diário livre


terça-feira, 25 de novembro de 2014

o desejo

o desejo é
tudo aquilo
que repousa
ou se agita
em seu nome
que profiro
na lembrança
ou à sombra
do seu corpo
como um halo 
musical de amor

sexta-feira, 22 de agosto de 2014


A cidade obscurece em luzes
nada é mais lento que a verdade
meu olhar perfura a noite sem rumores
tudo é tão claro como a paz.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Você me chegou em noite
de suor e calafrios
se instalou em minha vida
sem rodeios e artifícios
prometendo-me sorrir sem fim.
Nunca troque o sol brando e perene da amizade
pela fogueirinha urgente e avassaladora do desejo.
A não ser que queira, e acredite que possa,
transformá-la em um astro intempestivo.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Minas

Minas me deu mais de mim
do que eu mesmo poderia,
de mim mesmo corpo-alma
ou qualquer outra anatomia.

Mais que toda a sublime
ou sua vã geografia,
a filosofia, mais que toda
escrita sina, indefinida.

A pedra angular, contemplativa,
largos onde ampliar o grande
e um olhar rodopiante 
a toda forma-pedra,

todo ouro ou diamante,
toda paisagem viva
transbordante à fita
de seu horizonte.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

O galo

O galo canta uma, duas, três
estando longe do sertão
que é onde os galos cantam
madrugada adentro
sem razão maior que a canção.

E por quê que me desperta
se ainda é tudo escuridão?

No sertão, o mar virado
revirado remexido
ondeia azul por entre a alta
espuma branca viajante
bem de longe aguada
irrefreável à areia, aerada
que trazendo-a espelhada
se insinua em ventanias e
esculturas de revolução.

E é por isso que vizinho ao mar
o galo canta em noite calmaria
não duela com murmúrios grandes
horizontes de imensidão.

Pois agora chove manso e finda o pranto
não se ouve mais a vastidão do canto
que se houve iluminá-lo da manhã.


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Grande Sertão: Veredas

A cada novo romance que leio, se agiganta mais Grande sertão: veredas. Lá se vão dez anos dessa leitura, dessa verdadeira lida, e tenho a impressão de que não haverá obra maior em minha vida. E olha que tenho escolhido muito bem as minhas companhias... Um épico da língua, reinventada, renascida, uma das mais belas histórias de amor já escritas. Salve Guimarães!



domingo, 25 de maio de 2014


À noite
a solidão do corpo é nua

como nua é também
do corpo a verdade 
enveredada em poesia

a solidão do corpo cria
não um corpo
dependente doutro
que com ele se procria                                   

é sentido pleno de chegada
de outra forma nua
a princípio arredia

a solidão do corpo é criativa
de um canto próprio
em concavidade a outro
que com ele se aninha

é jamais sozinha
é espera que se forma
em corpo de alma, poesia

a solidão do corpo
deita à cama
junto ao corpo que esfria
e o aquece, o recobre, acaricia

a solidão do corpo é nua
de desejos revestida
à pele e pelos  
e de ânsias impelida




domingo, 11 de maio de 2014


Inteiro eu
me refaço
em seu regaço
de prazer
num esconder-me
em seu corpo
onde me deixo e
me desfaço para
noutro mundo
renascer                      

sexta-feira, 25 de abril de 2014

A tarde


Um balé de sombras
me roçava os olhos
com o seu murmúrio
seco, mais que seco
ardente, um estupor.

Da janela alta
a sinfonia rubra
inundava a tarde
com seu maço
imenso de quintais.

O rumor de suas chamas
uma a uma juntas
me contando o quanto
há de me dançar na noite
o corpo entregue
à dissolução do tempo
arvorado no amor.

Como livros na estante
há cavidades de minh'alma
eu sei
que só reclamam
ser tocadas
versos esquecidos
nunca ditos
abismos de silêncio
sentimentos invasivos