Poemas em nome próprio
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Janelas de perspectiva infinda
Um diário livre


sexta-feira, 25 de abril de 2014

A tarde


Um balé de sombras
me roçava os olhos
com o seu murmúrio
seco, mais que seco
ardente, um estupor.

Da janela alta
a sinfonia rubra
inundava a tarde
com seu maço
imenso de quintais.

O rumor de suas chamas
uma a uma juntas
me contando o quanto
há de me dançar na noite
o corpo entregue
à dissolução do tempo
arvorado no amor.

Como livros na estante
há cavidades de minh'alma
eu sei
que só reclamam
ser tocadas
versos esquecidos
nunca ditos
abismos de silêncio
sentimentos invasivos