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Um diário livre


segunda-feira, 23 de março de 2015

Diálogo


Conversávamos amenidades. O assunto era sempre diferente, no corrido das palavras, mas também o mesmo, sempre, no esparramado dos silêncios. Vez em quando as reclamávamos por puro amor ao delírio, sonoras, entusiastas, murmuradas, porque as palavras se iam puxando umas as outras, como elos de uma só corrente em que nos víamos então, completamente livres e enlaçados. Chicoteados ao ar, dançávamos no ritmo de suas musicalidades, sem saber onde cessar ou porque jamais descer, rodando no salão espiralado dos sentidos... Num passo mais ousado, podíamos ouvir roçando nossas roupas, as palavras subitamente desnudadas, sem as quais ainda haveríamos de nos atar, silenciados.

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